domingo, 21 de dezembro de 2008

Crianças entram na era do Consumo!



Nem as crianças escapam desse consumo exagerado dos dias de hoje. Aliás, na maioria das vezes, elas são o alvo principal, tanto que é cada vez mais comum encontrar crianças consumistas.

Um exemplo é a pequena *Fernanda, de quatro anos. A menina não pode entrar em uma loja e sair de mãos vazias. “Tenho que comprar alguma coisa para ela. Ela olha para mim e diz: Mamãe, a gente tem que comprar isso”, conta a dona-de-casa *Izabel, mãe de Fernanda, que acaba não resistindo aos pedidos da filha e sempre compra o que ela pede. O resultado é um quarto abarrotado de brinquedos e um guarda roupa de fazer inveja a qualquer mulher.

Comportamentos como esse não se manifestam apenas em períodos de compras, como Natal ou Dia das Crianças. A excessiva atração que novos produtos infantis exercem sobre a criançada pode ser prejudicial à sua educação e ao seu desenvolvimento.

“A gente não pode ter tudo e o bom é aprender isso desde cedo. Para se ter uma coisa, perde-se outra, a vida é assim. Não adianta querer dar tudo para uma criança porque mais cedo ou mais tarde, a vida vai ensinar isso e como a criança não está preparada vai sofrer muito mais do que aquela que já está acostumada a receber alguns NÃOS”, explica a psicóloga Elza Dutra.

Ainda segundo a psicóloga, muitos pais confundem amor com ceder a todos os caprichos dos pequenos. É como se fosse uma forma de compensar, em alguns casos, a ausência diária, a falta de tempo de ficar com os filhos. “O pedido das crianças não é de presente, é de atenção e carinho. Tanto que é comum a criança receber o presente que tanto queria e depois de alguns dias, desejar intensamente outra coisa. É como se quisessem preencher um vazio, mas não tem brinquedo que substitua isso”, diz.

Mas as crianças, na maioria das vezes, não têm consciência dessa forma de compensação e convencê-los a desistir dos presentes é uma tarefa complicada, que o diga a estudante Viviane Macêdo, mãe de Leonardo, de três anos. A equipe da TRIBUNA DO NORTE encontrou mãe e filho numa missão quase impossível, escolher um único presente para ganhar do Papai Noel.

“Ele sempre está junto comigo na hora de comprar o presente e como toda criança, sempre quer ganhar mais de uma coisa. Às vezes ele faz uma birra, chora, mas eu sempre explico que não posso e depois de muita conversa ele acaba aceitando”, conta Viviane.

Com tantos apelos comerciais, o Natal está perdendo o seu verdadeiro sentido. Deixou de ser uma festa de amor e passou a ser um troca-troca de presentes. E se desde muito cedo as pessoas recebem esses valores distorcidos, essas crianças são consumistas em potencial.

“A gente tem que refletir, não podemos receber essas informações e aceitar como verdade absoluta. Com relação às crianças, esse papel de discernir cabe aos pais e professores, que devem incentivar as crianças a questionar as informações e não perder sua essência”, diz Elza Dutra.

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